Na mesocracia, o líder não precisa fingir que é católico, nem fazer média com os evangélicos, nem dissimular discretamente que é maçom. Ele não precisa ajoelhar diante do altar, nem esconder atrás da razão, porque o povo maduro não exige fé performática, exige ética pública. O religioso sincero não quer um presidente convertido, quer um governante justo. O ateu honesto não quer um estado sem alma, quer um estado sem máscaras. A mesocracia não é negação da fé. É a libertação da fé do palanque. É o espaço onde o sagrado pode ser escudo, sem precisar virar lança. E onde o estado pode ser lança, sem precisar ferir o sagrado. Nada acima de César, mas também nada abaixo da consciência.