POR QUE ME TORNEI APOLÍTICO?

Considerações pontuais de Marcelo Beloto

Porque sou esquizofrênico e não respondo pelos meus atos, por isso não devo assumir certas responsabilidades, como a responsabilidade de votar. Outros “mequetrefes” como eu deveriam seguir meu exemplo.

Lutero não inventou o “faço o que eu quero e a Igreja Católica não manda em mim”. Antes mesmo da Reforma Protestante já existia a independência religiosa da Igreja Católica porque já existia maçonaria para servir o interesse daqueles que buscavam lugares altos.

Para quê Reforma Protestante? Foi só para alavancar o avanço da ciência para a descoberta de vantagens bélicas para vencerem seus inimigos nas guerras. Para isso, inventaram a pólvora, o canhão, o telescópio, …

Só depois da ciência inventar a vantagem bélica máxima das vantagens bélicas para vencerem seus inimigos nas guerras, que foi a bomba atômica, é que aí sim, a ciência foi descobrir o primeiro antipsicótico para tratar a esquizofrenia.

A polaridade política vem da reforma protestante, iniciada por Lutero. O Argumento protestante se for reduzido a um argumento meramente religioso, a tese protestante que dá 100% de credibilidade à Bíblia e 0% de credibilidade à Igreja Católica seria uma tese que jamais seria aceita em universidade alguma no mundo.

Porém, os argumentos protestantes não param nos argumentos religiosos. Não dá para discutir com fanático religioso protestante, quando o fanatismo religioso dele já não é mais religioso, é político.

Para um fanático político protestante, pregar o Evangelho é fazer campanha política para eleger um candidato de direita.

Os protestantes não param por aí. Acusam o papa de também ter um candidato político que é de esquerda, logo o Papa é de esquerda, e, por fim, o Papa é comunista. Conclusão lunática da comparação política por política, da imaginação fértil de um fanático protestante.

O Papa não tem ideologia política. Não é de esquerda, muito menos é comunista. O Papa apenas não pode estar do lado de fanáticos religiosos para os quais religião já é política.

Se fosse só por causa de religião, Jesus Cristo teria morrido de velho. É que seus argumentos religiosos mexeram na posição de alguns privilegiados, que não foram contrariados nos seus interesses religiosos, foram contrariados nos seus interesses políticos.

Dizer que sem o catolicismo, mesmo assim haveria civilização, é o mesmo que falar das 1001 utilidades do satélite que hoje está no espaço, sem precisar reconhecer a importância do foguete de propulsão que colocou o satélite lá.

A política construiu no mundo uma estrada perigosa de mão dupla na qual justiça social e orientação moral trafegam em mãos inversas. Ou trafega na mão de direção da orientação moral, ultrapassa, entra na contramão e bate de frente com a justiça social. Ou trafega na mão da justiça social, ultrapassa, entra na contramão e bate de frente com a orientação moral.

Antes de imaginar que o Papa certamente, preferencialmente, trafega em uma dessas mãos, de direção dessa estrada perigosa, não lhe ocorreu que o Papa deseja que essa estrada de mão dupla seja duplicada para que justiça social e orientação moral trafeguem numa mão só.

A Igreja Católica é uma instituição que está no mundo há mais de 20 séculos e, ainda assim, muitos olham para ela como uma instituição que sabe até o nono andar, e que as ideias de invenção e reforma, das pessoas que estão no mundo apenas há algumas décadas, sabem mais que até o nono andar. Sabem até o décimo andar, e ainda acham que podem cobrir o prédio inteiro.

O Papa não é nenhuma espécie de sarrafista em salto em altura, de modo a colocar o sarrafo a 1 metro para todos os católicos poderem pular essa altura. Depois, se os católicos disserem que sarrafo ainda está alto, o que o Papa deve fazer? Colocar o sarrafo meio-metro, que passaria a ser a nova altura que todos nós católicos possamos pular?

Do que adianta o Papa dizer “Sim” ao divórcio, se a própria consciência do divorciado disser “não”. Vai da consciência subjetiva e objetiva de cada um.

Como eu gostaria que todos os católicos entendessem que nada muda na Igreja Católica porque o Papa não deixa, e sim porque Jesus Cristo não quer.

A Igreja Católica não muda a verdade como pensam alguns. Apenas muda a atualização das novas demandas de comunicação para atualizar a comunicação da  verdade que não muda. (Malaquias 3, 6)

Atualizando a demanda de comunicação, os padres de hoje, ao fazerem suas homilias, tem de ter em mente que assistindo as missas, estão ali pessoas que tiveram familiares que se suicidaram, ou tem familiares divorciados, homo afetivos, neurodivergentes, adictos, ou com pendências na justiça.

Para os pastores protestantes, só precisam pregar nos seus púlpitos levando-se em consideração apenas que existem católicos. E ainda assim, para eles essa incumbência, mesmo sendo fazer o mais fácil, eles ainda assim não conseguem. Será que é mesmo difícil?

A Igreja Católica não deve, não pode nem quer que sejam atraídos para ela somente os que vivem na mais absoluta e perfeita prática da castidade “Pois os sãos não precisam de médicos, mas sim os doentes” (Mateus 9, 12)

Muito pelo contrário, a Igreja Católica deseja que seja atraídos para ela, todos os fracos, pecadores, cansados e necessitados de alívio e de julgo suave e um fardo leve, que é algo que está fora de tudo, que está fora do contexto das palestras de motivação e sucesso, a fim de obter posse lucro e vantagem. (Mateus  11,28-29)

Esse caminho de alívio aos fracos e pecadores é perfeitamente viável, possível e acessível a vir à Igreja Católica, sempre acolhedora, piedosa e dura e que, ainda assim, até hoje, ainda tem predileção pelos “piores”.

A Igreja Católica só precisa de um único traço moral reto que é o sacerdote da Igreja Católica que age na pessoa de Cristo cabeça.

Para cumprir suas obrigações sacerdotais, o clérigo católico está cercado de fraquezas que lhe trazem a consciência, como que por um espinho na carne, que clérigo católico não pode ser extraclasse. (Hebreus, 5, 1-4)

O catolicismo serve para todos os católicos, sob o preço de não ser para qualquer um protestante. Já o protestantismo é para qualquer um protestante sob o preço de não servir para todos os católicos.

Ficar entre a cruz e a espada é ter de escolher entre conservar-se católico próximo a um pagão ou tornar-se protestante próximo a um ateu.

O clero é para restringir, delimitar, dissuadir e fechar o homem na disciplina da língua e do comportamento, para ele não poder falar o que quiser e nem agir de qualquer modo.

Graças à disciplina clerical da língua do homem, os mais fracos estão mais protegidos, as mulheres, as minorias, os neurodivergentes, incapacitados, excluídos e marginalizados. Tudo isso, só é possível através da humilhação, da disciplina da língua do homem clérigo fiel.

Machismo é o homem esquecer que é o mais forte. Feminismo é a mulher não lembrar que é a mais fraca.

Clericalismo é para não deixar o homem esquecer que é o mais forte e, ao mesmo tempo, lembrar à mulher de que ela é a mais fraca. Assim, se completam três poderes: o poder ativo, o poder passivo e o poder neutralizante.

Entre a Santíssima Trindade, Pai Filho e Espírito Santo, onde entra Maria? No Amém, que não é a assinatura de Deus, mas é a assinatura da Igreja. Sem a assinatura do Amém em Maria da Igreja, a Bíblia não estaria completa.

A mulher é mais fraca não só fisicamente, mas também como voz de primazia moral, pois a mulher sabe que as próprias circunstâncias que a cerca são suficientes para fazer com que a própria moral se volte contra ela.

Que as mulheres saibam que se o clero católico clericalizasse as mulheres, Maria Santíssima não queria ser clériga. De outra forma, o seu Amém não seria completo. Para que clericalizar as mulheres, sendo que os clérigos sabem que só as mulheres megeras desejam isso? E põe megera nisto.

O Clero tem de ser restrito, vertical, fininho e só para homens, e poucos, suficientemente poucos, como é do agrado de Deus. Não é o Clero que tem de horizontalizar. É a assistência social e a mesocracia, onde haverá muitos lugares de poder para as mulheres.

Mil mulheres assistentes sociais fazem bem menos estragos do que um único padre assistente social que se tornou expressivamente e escandalosamente, como tal, só para ser um padre extraclasse.

Padres extraclasse fazem mal à Igreja Católica porque são arrebatados pelos ímpios, graças ao poder de Satanás que o coloca na frente de todos.

Padres extraclasse condenam à invisibilidade aqueles que verdadeiramente nos tiraram da invisibilidade que são os padres que são extraordinários por suportarem sua ordinariedade, fazendo o esvaziamento de si mesmos para fazer-nos a perfeita comunicação que Deus é Deus e o homem é o homem nas nossas missas de domingo.

Os padres não se confundem, se confirmam. Não porque sejam clones, mas porque são claros. A clareza da vocação não precisa chamar a atenção, ela apenas existe com firmeza e isso basta. O que é a vocação, se não a persistência, sem espetáculo?

Padre bom é padre conservador, desde que não seja um conservadorismo político. Porque se for também outro extraclasse para os ímpios o arrebatarem para coloca-los a frente de todos ainda que tivesse essa culpa por ter se desviado pela direita, é tão culpado quanto o padre que desviou pela esquerda.

Meu conservadorismo e meu progressismo não são políticos, bem como minha direita e minha esquerda também não são políticas. Minha direita é crê na justiça social, que não falta com a orientação moral. E minha esquerda é crer na orientação moral que não falta com a justiça social.

Não sou nem pelo estado máximo, nem pelo estado mínimo. Sou pelo estado que tem um tamanho suficientemente justo e que as privatizações não devem ficar a critério apenas do mercado liberal através de capital financeiro. Algumas privatizações podem ser feitas através do cooperativismo e do capital social de empresas filantrópicas fundadas com fim filantrópico confessional de gastar religião para economizar estado.

Quem defende as privatizações, defende o quê? Que os problemas de governança devem ser resolvidos pelo estado ou transferir a responsabilidade de resolvê-los para a iniciativa privada.

E aí nós cristãos cruzaremos os braços, esquecendo que nós também podemos ser iniciativa privada, formando empresas filantrópicas, a fim de empregar pessoas com deficiência e a escória do mundo marginalizado que ninguém quer empregar?

Por que o empresário não tem a escolha de empregar uma pessoa com deficiência ou uma escória marginalizada ou transferir a responsabilidade de pagar impostos para empresas filantrópicas cristãs empregarem as pessoas que o mercado de trabalho formal não quer empregar?

Se a mesocracia cuidasse apenas da segurança pública e da representatividade jurídica direta do cidadão e deixasse a infraestrutura e assistência social para empresas filantrópicas cristãs e cooperativas tríplice coexistente, a iniciativa privada não se reduziria ao capital financeiro que privatiza o lucro e estatiza o prejuízo.

O governo mesocráta faria a lei agir contra minorias que tentam impor ditaduras a maiorias, e agiria contra maiorias que quiserem passar por cima de minorias.

Ninguém, absolutamente ninguém acha justo opinar sobre os esquizofrênicos levando-se em consideração só a opinião dos esquizofrênicos.

Então não lhe parece ser também justo não opinar sobre os homossexuais levando-se em consideração só a opinião dos homossexuais, como se o mundo inteiro tivesse que se transformar total e absolutamente numa “boate gay” para que os direitos de homossexuais fossem respeitados?

Levando-se em consideração o ponto de vista teológico, o ponto de vista da caridade e o ponto de vista da liberdade civil, o que a Igreja Católica tem a oferecer aos homossexuais reconheçam é bem razoável e isso levando em consideração a opinião de todos.

Numa mesocracia, não haveria favoritos políticos como o agronegócio é favorito da direita, e como os sem-terra é favorito da esquerda. A mesocracia eliminaria esses favoritos rivais políticos e faria a lei atuar a favor e contra os dois lados.

O governo mesocráta poria fim na dependência do aiatolá do protestante e da legião de pessoas “legais e interessantes”, “melhores” que católicos, “diferentes” de protestantes.  Esses favoritos políticos antagônicos seriam reduzidos a inexpressividade com o fim do regime de governança da obsoleta democracia política.

Quer uma evidência de que eleições diretas no Brasil é uma falácia? Que a obsoleta democracia política nunca implantou eleições diretas no Brasil? O voto é direto de onde pra onde? O que os democratas entendem por ser uma directividade?

Ao votar num chefe do executivo, você não vota diretamente na escolha dos seus assessores que compõem seu ministério ou seu secretariado, nem nos chefes comissionados, nem na escolha dos cabides de emprego, que são as presidências das estatais, nem nas aprovações e reprovações de dinheiro público vindo do estado para apoiar esse ou aquele programa beneficiando o que você concorda em parte ou que maioria das vezes, nem concorda. E não vota na posição do chefe de estado nas relações diplomáticas com outros chefes de estado de outras nações. Onde houve eleições diretas aqui? Você votou direto de onde pra onde?

Ao votar num representante do legislativo, você não vota na escolha dos seus assessores, não vota diretamente nas decisões de vetar ou aprovar leis e nem vota direto no seu direito de aprovar ou não o modo de fiscalizar o executivo. Onde houve eleições diretas aqui? Você votou direto de onde pra onde?

Na campanha eleitoral para vereador, cada candidato percorre a cidade inteira pedindo votos. Batem de porta em porta, de cada morador da cidade, pegam  na mão de cada eleitor, olha no olho dele, ouve sua reinvindicação, promete que irá lutar por ela na câmara caso ele seja eleito e, por fim, pessoalmente ele pede seu voto. Tudo isso ele consegue fazer sozinho.

Uma vez eleito na câmara dos vereadores, mesmo numa cidade pequena, terão só três assessores de trincheira de obstáculos intermediários para os eleitores do vereador eleito falarem com ele no seu gabinete. Dá para entender?

Dá para entender menos ainda, gastar tanto dinheiro público para financiar candidaturas eleitorais de vários candidatos cujo objetivo de concorrer às eleições não é a vitória.

Se a obsoleta governança através da democracia política tiver sido útil, foi útil até atingirmos a plena democracia midiática.

A democracia política vai ser vista como um atraso evolutivo do passado, no tempo em que as eleições políticas usavam o dinheiro público para se estabelecer, além de ser cara, morosa e burocrática, havia um grande vazamento de desperdício de dinheiro público do contribuinte, seja pelo cabide de empregos, seja pela corrupção ou má gestão.

Uma coisa foi certa, todo o período pré-histórico da obsoleta democracia política só serviu para a farra do desperdício do dinheiro público. Quando ela for extinta, o dinheiro dos impostos do contribuinte retornarão a ele através de canais diretos como nunca se viu antes em toda a história.

A aprovação do voto facultativo seria um passo gigantesco para se aprovar o sistema semipresidencialista, onde o presidente seria o chefe de estado para dialogar com o exterior e o primeiro ministro seria o chefe do governo para o diálogo interior, ambos para cuidarem única e exclusivamente da segurança pública.

As forças de segurança pública que comporiam o governo seriam mistas: militares reformados da marinha, exército e aeronáutica,bombeiros e a polícia militar estadual e, policiais civis licenciados, da polícia federal, rodoviária, florestal, direitos humanos e guarda municipal.  Esse mistão de forças de segurança propositalmente mistas ocupariam as câmaras de governança Só iam zelar pela ordem e pelas estratégias de sua atuação no combate ao crime.

Somente os agentes de segurança pública poderiam votar e serem votados, os advogados seriam o menor entre eles, não poderiam ser votados, mas poderiam votar para fazer as leis.

Foi pregado ao mundo, ao longo da história, que numa democracia as eleições podem ser através do voto direto. Mas, o que eu questiono é que nessa directividade, o voto é direto de onde pra onde?

Isso é porque o mundo ainda não estava maduro para conhecer outra forma mais evolutiva de directividade onde só os advogados estariam à altura de votar sem ser influenciados pela propaganda que é a “arma do negócio”

Políticos vitalicialmente corruptos e mesmo assim vitalicialmente reeleitos através da propaganda política que liga o nome deles ao primeiro nome que vem na cabeça, fazem de eleitores “mequetrefes” como eu, presa fácil para a massa de manobra para eles se perpetuarem no poder.

O advogado sim estaria à altura de assumir a responsabilidade de votar por você e ser seu representante direto que consegue concessões diretas do estado para você e não é crime.

Se caso faltasse uma única classe de advogados para representar uma única classe de pessoas, assim, só assim poderíamos dizer que a mesocracia seria uma ditadura.

Aliás, você sabe como todas as ditaduras ao longo da história se instalaram? Foi sempre através de governos ultranacionalistas. A fórmula é simples, rápida e fácil : convencem os ratos da casa que seu incansável e implacável perseguidor é o cão e que o gato não tem nada a ver com isso.

Quem disse que a Igreja Católica já proibiu alguma coisa. A Igreja Católica nunca proibiu nada. Apenas orientou os clérigos e fiéis a nunca precisar fazer o que nunca se fez necessário.

Sou um esquizofrênico católico e “mequetrefe” o bastante para ter a prudência de não assumir a responsabilidade de votar.

Para justificar minha posição apolítica sem que isso venha a parecer anarquia, antissistema, rebeldia, resistência ou insurgência à autoridade, procurei outra saída.

O que eu temo na política é tentarem colocar Deus acima de César. Não desejo que político algum tenha esse atrevimento. Porque quem tentar colocar Deus acima de César, colocará o diabo.

Temo a hipnose coletiva de uma massa que venha a apoiar um nome, uma marca, e um absurdo acima do bem e do mal. Para isso desejo acabar com as discussões políticas e iniciar o debate em prol de um novo modelo de governança: a mesocracia.

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Autor: marcelobeloto

Sou esquizofrênico e católico e escrevo sobre isso.

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